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    Congelamento de gastos é caminho certo, mas não dose total do remédio, diz economista à CNN

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    O congelamento de gastos em R$ 15 bilhões anunciado pelo governo nesta quinta-feira (18) é um começo para o cumprimento do arcabouço fiscal, na avaliação do economista-chefe da Warren Rena, Felipe Salto.

    “Está no caminho certo, mas não é a dose total do remédio ainda que vai precisar. O remédio é corte de gastos ou descobrir mais receitas, o que vai ser difícil, porque a gente já tem uma carga tributária elevada”, apontou Salto no WW desta quinta.

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou em entrevista a jornalistas que o governo federal vai bloquear R$ 11,2 bilhões e contingenciar R$ 3,8 bilhões do Orçamento deste ano, a fim de garantir o cumprimento do arcabouço fiscal.

    O ex-secretário da Fazenda e Planejamento do estado de São Paulo ainda aponta para um “mérito” de Haddad, ao antecipar um movimento que eventualmente seria necessário, e conseguir “comer pelas beiradas” com o anúncio.

    O bloqueio e o contingenciamento anunciados hoje buscam “garantir no papel” – o próximo relatório bimestral de contas – que a meta fiscal seja garantida.

    O governo federal trabalha com o objetivo de zerar o déficit fiscal esse ano, com tolerância de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

    Salto avalia que a projeção atual de crescimento da receita – em 10,5% de acordo com o relatório bimestral de maio – é superestimada, e que pelo anúncio desta quinta, estima-se que ela seja revista para 9,5%.

    Mesmo assim, o economista reforça que a potencial revisão ainda é otimista demais. A Warren Rena estima que a receita deve crescer 8,2%.

    Além disso, o ex-secretário da Fazenda e Planejamento indica que na conta do governo ainda foram subestimados os gastos realizados até o momento.

    Desse modo, juntando as estimativas desbalanceadas dos dois lados, se fez necessário esse congelamento de despesas.

    Assim, o economista avalia este como um bom anúncio. Mas ao colocar os números na calculadora, Salto avalia que faltam R$ 11 bilhões – além dos R$ 15 bi anunciados – para que a Fazenda cumpra seus objetivos.

    Entre os gastos que devem entrar na mira do governo, Salto aponta para as despesas discricionárias, as não obrigatórias

    “A previdência está subestimada. O BPC, que é um benefício social, também está subestimado. [A Fazenda] vai cortar mais cerca de R$ 4 bilhões de um grupo de despesas também não obrigatórias para fazer frente a essa reestimativa de receita”, explica Salto.

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