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    Comissão de Inteligência é instalada e debate crise com Paraguai

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    Congressistas da oposição instalaram nesta quarta-feira (2) a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) do Congresso Nacional e debateram a suposta ação hacker da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra o Paraguai.

    Requerimentos para ouvir o diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, devem ser votados já na próxima semana.

    A liderança da comissão será exercida pelo deputado Filipe Barros (PL-PR), que preside a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional na Câmara. Já a vice-presidência ficará sob a responsabilidade do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), atual presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

    O colegiado foi instalado dois dias após a imprensa revelar uma suposta ação hacker da Abin contra o governo do Paraguai para obter dados relacionados à negociação bilateral da Usina Hidrelétrica de Itaipu.

    A operação teria sido criada ainda no final do governo de Jair Bolsonaro (PL), mas teve continuidade na gestão petista, com atuação do atual diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa.

    “O Congresso não pode se omitir. A instalação da CCAI, neste contexto delicado, assume um papel central na defesa das instituições democráticas e da confiança mútua entre países como Brasil e Paraguai”, disse o senador Nelsinho Trad.

    O vice do colegiado frisou que a atividade de inteligência precisa de rigor, mas deve respeitar os limites legais e o controle democrático. Deixou claro ainda que as consequências do episódio não podem comprometer a integração regional.

    “Não podemos permitir que ações irresponsáveis, de qualquer governo, coloquem em risco as conquistas da integração. Relações exteriores se constroem com confiança e reciprocidade”, afirmou.

    De acordo com o presidente da comissão, Filipe Barros, a comissão deve se reunir ao menos uma vez por mês.

    Como mostrou a CNN, nos últimos anos, o colegiado foi criticado por não agir nas recentes crises envolvendo a Abin e por manter o ex-diretor-geral e atual deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) entre os membros.

    A CCAI é responsável pela fiscalização e o controle interno e externo das atividades de inteligência e contrainteligência desenvolvidas no Brasil.

    Cabe a ela cobrar explicações da Abin, das Forças Armadas e da Polícia Federal. O colegiado tem o poder ainda de convocar autoridades e solicitar informações sobre as ações dos órgãos de inteligência.

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