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    Pessoas podem não entender, mas racismo ambiental existe, diz Anielle

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    A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, disse, nesta quarta-feira (11), que o racismo ambiental existe, por mais que não haja uma compreensão por parte da sociedade sobre o termo.

    “É claro que, da noite para o dia, as pessoas não vão entender ou não vão aceitar o [conceito de] racismo ambiental. Mas ele existe. E está batendo na nossa porta”, declarou.

    A fala da ministra aconteceu durante um debate sobre racismo e mudanças climáticas, em São Paulo. Ao lado dela, esteve Ailton Krenak, líder indígena e imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL).

    Anielle foi alvo de críticas da oposição quando, no início de 2024, usou o termo para falar sobre os impactos de chuvas que atingiram, em janeiro daquele ano, o estado do Rio de Janeiro.

    Em publicação nas redes sociais, a ministra tinha apontado que “os efeitos da chuva”, que deixou mais de 10 mortos no estado, seriam “fruto também dos efeitos do racismo ambiental e climático”.

    Racismo ambiental é um conceito utilizado para descrever, entre outros casos, quando populações socioeconomicamente vulneráveis sofrem mais com eventos climáticos em relação a pessoas de classes mais abastadas.

    Na ocasião, parlamentares ironizaram a fala, dizendo que Anielle estava dando a entender que o meio ambiente poderia ser racista. Ministros e o governo federal, por meio de nota, saíram em defesa da ministra.

    No evento desta terça-feira, Anielle frisou que o conceito é originado nos Estados Unidos e datado da década de 1980. “Eu não inventei o termo racismo ambiental”, afirmou.

    Para exemplificar o conceito, Anielle, que viveu no Complexo da Maré, destacou as desigualdades na capital fluminense.

    “Muitas vezes, a gente não conseguia entrar ou sair (da comunidade) por conta das chuvas”, ressaltou, destacando o quanto isso impedia idas à escola e ao trabalho por parte dos moradores.

    Por outro lado, “tinha lugares na zona sul que acordavam com alguma ressaca (do mar), mas não havia nada devastado ali”, pontuou. “As pessoas não perdiam as suas casas”, concluiu.

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